Mª
Bethânia - A conquista.
Por:
Carmem Lima
Começou
mansamente há décadas atrás.
Primeiro
chegou à voz, bela, diferente e penetrante, complementando a orquestração.
Segui
a voz e suas escolhas musicais e a seleção falava de amores, desamores,
protestos, realidades nacionais e internacionais.
Procurei
saber quem estava por trás da bela e profunda voz que me emocionava, pernoitava
comigo, tocava o meu coração e minha vida.
Descobri
Maria Bethânia, uma pessoa que encantou os meus olhos e o meu coração de primeira.
Passei
a acompanhar a sua careira. Com o passar do tempo, percebi que seria o amor de
minha vida. Sempre que podia acompanhava-a, Mundo afora, quer no rádio, TV,
etc.
Desejava assisti-la, mas naquela época o seu
show só chegava à Recife e era fase de vacas magras.
Passaram-se
os anos e sem planejamento, em menos de seis meses, decidi morar no Rio de
Janeiro.
Lembro
que cheguei de férias, com possibilidades de buscar trabalho, no final de 1988
e aqui estou por exatos 26 anos.
Meu
primeiro show ocorreu em 1989 no Scala (RJ). Fiquei deslumbrada e o meu coração
me confessou que seria para sempre mesmo. Neste show, descobri sem querer, uma
passagem por trás do palco e dei de cara com uma pequena fila, organizada para
cumprimentar a grande Rainha de meu coração. Inibida e tímida fiquei quietinha
e sozinha, sem acreditar que poderia cumprimentá-la. A fila andou e fiquei
aguardando que sua irmã permitisse a minha entrada. Olhei-a de longe, meu
coração acelerou. Entrei, ela estava abraçando alguém e contemplei-a bela e
linda. Ela me fitou enquanto abraçava a outra pessoa, baixei meus olhos por
timidez, respeito, amor imensurável e não confessado, medo de que ela
descobrisse tamanho sentimento guardado a sete chaves, sei lá. Chegou a minha
vez, prendi a respiração, ela abriu os braços me recebendo de forma acolhedora
e inesquecível. Só consegui balbuciar que era paraibana e sua fã incondicional.
Parece que foi ontem.
Continuei
a acompanhar a Abelha Rainha, agora mais de perto, com suas interpretações
musicais, show, entrevistas, programas, CD’s, DVD’s, livros, filmes, etc.
Lembro
que quando ainda morava em João Pessoa e minha musa aparecia na TV ficava a
observa-la, se percebesse que ela não estava bem ficava preocupada e pedia
então aos seres divinos que a protegesse e a guiasse, bem como a sua família.
Através
dela, à distância, aprendi a ter um carinho especial pela Dona Canô, assim como
a respeitá-la, como fui ensinada pelos meus amados pais e como deve ser aos
mais velhos e especialmente a uma grande Senhora, raras, como tantas de sua
geração e que faz falta nos dias atuais.
Tempos
atrás, escrevi uma carta a Dona Canô agradecendo por ter gerado dois ícones da
música brasileira, afora os outros talentos do seu ventre, mas especialmente
àquela que aquece o meu coração. Li a carta para uma amiga, conhecida de Maria
Bethânia e ela me estimulou a enviar, relutei mas tempo depois enviei, simplesmente
assim: Para: Da. Canô – Santo Amaro da Purificação – BA, pois não tinha o
endereço.
Tive
várias oportunidades de cumprimentá-la no Camarim, ora aguardando na fila como
fã incondicional e desconhecida, ora levada pela mesma amiga que estimulou a enviar
a carta para Dona Canô.
Num
dos shows não conseguimos comprar os ingressos e estávamos tristes. Marly ligou
para a minha Rainha perguntando como conseguiríamos comprar, pois estava tudo
esgotado. Assistimos ao show a convite dela, fiquei mais do que encantada, para
completar, ao cumprimentá-la no Camarim, neste dia, ela perguntou se havíamos
gostado. Imagine! É obvio que a resposta foi mais que afirmativa. Então ela nos
convidou para repetir a dose, não acreditei e fui mais uma vez extasiada ao
show, a convite dela.
Para
mim Maria Bethânia é um exemplo de brasilidade a ser seguida. As suas
preocupações pelo povo brasileiro é real, verdadeira, assim como o desejo de
uma educação de qualidade para seus irmãos. Percebemos isso através de sua vida
e de suas escolhas musicais, entrevistas, etc.
As
escolhas que ela faz toca o meu coração e a alma, aquecendo-os em dias nublados
e frios.
Desde
1988 tenho assistido a todos os seus shows. Coleciono alguns LP´s, quase todos
os CD´s e todos os DVD´s (filmes ou shows).
Os
shows é um caso a parte. Para assistirmos ao show “Maria Bethânia canta Chico
Buarque”, no Vivo Rio, foi um sufoco, fiz plantão na véspera e na madrugada da
pré-venda BB e não consegui, porém na semana que abriu para a venda normal, fiz
novo plantão e quando alguém desistiu de uma mesa de quatro lugares, fui rápida
o suficiente para finalizar a compra, assim, mais uma vez, pude ver àquela que
conquistou meu coração para sempre.
Este
ano de 2015 tive o privilégio de assisti-la duas vezes. Na estreia, dia 10 de
janeiro e da segunda vez a convite de Maria Bethânia, através de uma grande
amiga. Fomos às últimas a cumprimenta-la. Maria Bethânia fazendo 50 anos de
carreira e minha querida amiga fazendo 50 anos de plateia. Ao cumprimenta-la
recebi um abraço inesquecível
Rio
de Janeiro, 20 de abril 2015.
Carmem
Lúcia de O. Lima


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